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Zen surf de trem é um blog/coluna, que aborda de maneira jovial e sem compromisso, a realidade de um lugar diferente, os pensamentos de um sonhador e as informações de uma banda que luta em busca divulgar o seu som e sua ideologia . Um blog onde o debate é a palavra de ordem, do social a ufologia, sempre respeitando a opinião do próximo. Publicado em diversos jornais e sites do Mato Grosso do Sul.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Você conhece o “Portunhol Selvagem” ?


Você morando na fronteira, na certa ou fala um pouco de espanhol e/ou entende alguma coisa Guarani, ou ao menos deveria. Em uma terra de fronteira invisível, nosso idioma, o português, se fundiu com o espanhol e guarani, criando uma linguagem única e diferenciada, para o lugar diferenciado em que vivemos. A fronteira! Nossa cultura ambígua, dia a dia tem se mostrado mais forte e rica, seja na música ou na poesia. Foi nesse ambiente de cultura impar, que o poeta e escritor, Douglas Diegues, nos presenteou com a criação de um idioma híbrido e libertário, ao qual nomeou como, Portunhol Selvagem. Para seu criador, o portunhol selvagem não é uma língua. Muito menos um movimento. Enquanto o português é forçado a um acordo ultramarino de padronização, o portunhol selvagem surge como uma opção de liberdade. “O portunhol selvagem é free !”. O Portunhol Selvagem transgride os limites estabelecidos pelas “academias linguísticas” com uma literatura baseada no indomável, que utiliza o espanhol, o guarani e o português, mas que tem espaço para palavras em qualquer idioma. Carioca de nascimento, mas fronteiriço de coração, Douglas, já traduziu vários livros para o portunhol selvagem, inclusive o clássico O corvo, de Edgar Allan Poe. Ele mesmo já publicou Da gusto andar desnudo por estas selvas (2003), Uma flor (2005), Rocio (2007), El astronauta paraguayo (2007), La camaleoa (2008), DD Erotikon &; Salbaje (2009) e Sonetokuera en Alemán, Portuniol Salvaje y Guarani (2009). Inspirado em Manoel de Barros – de quem é amigo pessoal – e inspirador de escritores como Xico Sá, ele e seu portunhol selvagem são um abrigo seguro para o modo de falar que vem das ruas e que dispensa dicionários. Podendo ser classificado como politicamente incorreto, para os puristas, o portunhol selvagem é a cara da fronteira. Pois como o próprio criador cita, é uma linguagem falada e escrita, mas não é um idioma. O portunhol selvagem é o puro retrato da fronteira, e ainda que não tenha conhecimento deste fato, você lida com ele diariamente e diretamente. O modismo e a grande mídia, muitas vezes nos vendam da importância de nossa verdadeira origem. É mais que necessário que o povo fronteiriço, saiba a importância histórica que nossa região representa, para o nosso estado, país e continente. Muitas vezes nossos artistas, são incompreendidos, e deixados de lado. Quando deveriam ser referência de conhecimento para a fronteira. Ponta Porã é o coração da América do Sul, e recebe influências diretas de todo continente. O portunhol selvagem é uma prova disto. Sejamos mais Latinos, e menos americanos. Viva el portunhol selvagem, e nuestra city, la princesita de los herbais. Não entedeu? É portunhol selvagem.


João Caetano, músico/compositor
, líder da banda Surfistas de Trem,
 formando em Economia e colaborador do JR. 

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E-mail: surfdetrem@yahoo.com.br

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